A Teoria de Festinger basea-se na premissa de que toda pessoa tenta manter um estado de consonância, ou seja, de consistência cognitiva. Toda pessoa tenta estabelecer uma coerência entre pensar e agir. Quando uma pessoa age de maneira contrária ao que pensa, ocorre um estado de dissonância cognitiva. Surge assim um estado de tensão, ou angústia, então a pessoa reconstrói uma coerência cognitiva, dando um novo significado as crenças anteriores, ou ela muda seus comportamentos para adaptar-se a realidade externa. (Chiavenato, 1998).
Para resumir, essas teorias apresentadas explicam que o comportamento humano possui uma relação intriseca entre a forma em que é percebido e interpretado a realidade por cada pessoa e ainda o comportamento é alterado de acordo com tensões e angústias para a manutenção de uma coerência cognitiva.
Dissonância Cognitiva
(L. Festinger)
Visão Geral:
De acordo com a teoria de dissonância cognitiva, existe uma tendência nos indivíduos de procurar uma coerência entre suas cognições (convicções, opiniões). Quando existe uma incoerência entre atitudes ou comportamentos (dissonância), algo precisa mudar para eliminar a dissonância. No caso de uma discrepância entre atitudes e comportamento, é mais provável que a atitude vai mudar para acomodar o comportamento.
Dois fatores afetam a força da dissonância: o número de convicções dissonantes e a importância atribuída a cada convicção. Existem três maneiras de eliminar a dissonância: (1) reduzir a importância das convicções dissonantes, (2) acrescentar convicções mais consoantes que se sobreponham às convicções dissonantes ou (3) mudar as convicções dissonantes para que elas não sejam mais incoerentes.
A dissonância ocorre mais freqüentemente em situações onde um indivíduo precisa escolher entre duas convicções ou ações incompatíveis. A maior dissonância é criada quando as duas alternativas são igualmente atraentes. Além disso, a mudança de atitude está mais provavelmente na direção de menos estímulo, já que isto resulta em menor dissonância. Neste aspecto, a teoria da dissonância é contraditória em relação à maioria das teorias comportamentais que predizem uma maior mudança de atitude com estímulo aumentado (isto é., reforço).
Âmbito/Aplicação:
A teoria da dissonância se aplica a todas as situações envolvendo formação e mudança de atitude. Ela é especialmente relevante para tomada de decisões e resolução de problemas.
Exemplo:
Considere alguém que compra um carro caro, mas descobre que ele não é confortável em passeios longos. A dissonância existe entre suas convicções de que ele comprou um bom carro e que um bom carro deve ser confortável. A dissonância pode ser eliminada decidindo-se que isto não importa, já que o carro é principalmente usado para viagens curtas (reduzindo a importância da convicção dissonante) ou focalizando-se as virtudes do carro, como segurança, aparência, manuseio (acrescentando desse modo mais convicções consoantes). A dissonância também pode ser eliminada desembaraçando-se do carro, mas este comportamento é mais difícil de ser realizado do que mudar as convicções.
Princípios:
1. A dissonância acontece quando um indivíduo precisa escolher entre atitudes e comportamentos que são contraditórios.
2. A dissonância pode ser eliminada reduzindo-se a importância das convicções conflitantes, adquirindo novas convicções que mudam o balanço, ou removendo a atitude ou comportamento conflitante.
Referências:
Behm, J. & Cohen, A. Explorations in Cognitive Dissonance.
Festinger, L. (1957). A Theory of Cognitive Dissonance. Stanford, CA: Stanford University Press.
Para quem tiver interesse em ler. A fonte do caso é: ROSA, Mário. A era do escândalo. Lições, relatos e bastidores de quem viveu as grandes crises de imagem. São Paulo: Geração Editorial, 2004, 3a ed. Não postei aqui pelo número de páginas ser grande, mas acho que vale a pena lerem e tentarem achar mais dissonâncias cognitivas..
Vamos à análise..
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O case “o escândalo dos escãndalos da bicicleta” trata de uma crise de imagem. Envolve boatos, intrigas, acusações falsas, denúncias absurdas e mentirosas por parte da imprensa e que levaram a uma mega exposição negativa do ex-ministro da Saúde do governo Collor, Alcene Guerra, demonstrando uma total falta de ética por parte da imprensa e conseqüente frustração por parte de Guerra.
Há uma dissonância cognitiva no que diz respeito a como ele era visto perante a sociedade e como passou a ser visto depois das acusações falsas de adquirir itens superfaturados. O homem que antes refletia a imagem de sucesso, de futuro promissor, agora era visto sob estigma de “ladrão de bicicleta”, o ministro "Mary Poppins”
Alcene se vê numa situação de extrema injustiça e se vê forçado a se demitir por temer que seja mais exposto negativamente à mídia. Há ai um caso de condescendência forçada. A Condescendência Forçada é produzida, segundo Festinger, pela ameaça de punição e pela oferta de recompensa. O ato de pedir a demissão do cargo de Ministro da Saúde decorre do medo de Guerra de que sua imagem perante a opinião pública seja piorada. Tal condescendência forçada gera uma dissonância cognitiva. O comportamento manifesto de se demitir é dissonante com a cognição de que ele quer permanecer no governo.
Com relação à imprensa pode-se dizer que há um caso de condescendência forçada, pois houve um descompasso entre a opinião privada de que Alcene Guerra era inocente, do comportamento manifesto ao denunciar a compra de bicicletas superfaturadas. A imprensa pode ter agido por temor a punição de ser contrária à opinião pública ou pela recompensa de ser vista como a imprensa que noticia em “primeira mão”. Por temer a Punição ou por pensar nessa recompensa, acabou cometendo um grave erro: denunciar alguém inocente. O mecanismo usado para reduzir a dissonância foi selecionar as informações. Para Festinger eu faço seleções das informações tentando evitar a dissonância. No processo de escolha de informação, se a informação contraria com a opinião privada que eu já tenho eu não me exponho a essa informação.Se a informação vai de encontro com que eu penso fico mais exposto a informação. Assim diminui a dissonância.
Segundo Festinger há condescendência forçada quando há pressão que se faz acompanhar da ameaça de punição ou oferta de recompensa. Nesse sentido,um caso de condescendência forçada que pôde ser observado ocorreu quando Alcene Guerra se viu obrigado a pedir demissão quando percebeu que o Presidente Collor estava cansado de seus “ataques”.
“Senti que era um estorvo, estava atrapalhando o governo. Não poderia mais ficar no cargo se não tinha apoio. Foram dias muito amargos” (pág. 420). “A existência da dissonância, segundo Festinger, dá origem às pressões para reduzi-la”. Segundo ele, a dissonância é pós decisória.
Exemplo: Tomada de decisão
Um dos exemplos percebidos no texto de tomada de decisão foi a demissão do funcionário. Quando optou-se por essa alternativa verificou-se as vantangens e desvantagens de se manter o funcionário na empresa e as desvantagens e desvantagens de ele continuar na empresa. A vantagem seria manter um bom funcionário e a desvantagem seria ter uma imagem negativa associada ao governo. Certamente houve ai um caso de dissonância cognitiva. Para diminuir essa dissonância buscam-se informações que confirmem nossas escolhas.
O conhecimento que se tem sobre “algo” pode ser dissonante com o que se depara nos jornais, nos meios impressos.
Público: jornalista
Comportamento manifesto: denunciar
Opinião privada: ele não é culpado.
Com relação as mudanças de opiniões e atitudes o tipo de dissonância cognitiva é produzido pelo conhecimento que uma pessoa ou outra fonte de informações que o indivíduo considera positivamente ou negativamente apóia uma opinião que o indivíduo considera negativamente ou positivamente .
Quanto ao processo de reconstrução da imagem de Alcene Guerra, após sua saída do ministério ele se deparou com inúmeras tomadas de decisões, dentre elas provocar um processo judicial. O senador Marcos Maciel, então líder do governo do senado lhe aconselhou dizendo que ele precisava ser processado. As vantagens dessa alternativa escolhida seria que com um processo formal, Alcene poderia ter oportunidade de se defender e ser absolvido e a desvantagem de não se ter esse processo judicial seria ter que conviver com as condenações da imprensa. Quando Alcene optou por provocar um processo judicial em detrimento de não provoca-lo, para reduzir a dissonância, buscou-se informações que confirmassem as vantagens da alternativa escolhida e desvantagens da alternativa deixada de lado. Após isso o procurador-geral da República deu seu parecer inocentando-o completamente. O problema é que mesmo assim a imprensa parecia não querer ouvi-lo. Houve aí uma dissonância cognitiva. Para diminuí-la será necessário buscar informações que confirmassem as escolha que o Ministro fez de ter provocado o processo judicial.
Um caso bem claro, de condescendência forçada, ocorreu quando o Ministro da Saúde, que sempre aceitava os pedidos de entrevistas dos jornalistas até 1992, foi proibido por seu jurista, Saulo Ramos, de se pronunciar sob ameaça dele abandonar a causa. Ou seja, o comportamento de Guerra de não se pronunciar decorreu do seu temor à punição, que seria o abandono da causa por seu advogado. Para diminuir a dissonância provocada, o ministro procurou informações que confirmassem a cognição de que se calar era a melhor solução. O seguinte trecho demonstra bem a mudança de opinião para se diminuir a dissonância: “Ele tinha razão. Em poucas semanas o silêncio produziu uma trégua. O ato de calar-se deixa de alimentar a imprensa com novas versões e tira dos Jornalistas o conforto ético de "ouvir a vítima”. (pág406).
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