Com base nos textos Comunicação e Opinião Pública (Ana Lucia Romero Novelli) e Comunicação e Política (Venício Lima) e na palestra desta terça (20), sobre comunicação e marketing político, discorra sobre a construção de políticas públicas no Brasil, destacando as lacunas neste processo e mencionando, a partir das leituras, como isto deveria se dar em uma sociedade democrática. Trata-se de um texto de opinião, entretanto, será critério de avaliação que a construção de seus argumentos sejam baseados nas leituras indicadas.
A expressão comunicação pública vem sendo utilizada com múltiplos significados, dependendo do país, do autor e do contexto. O texto Comunicação e opinião pública, escrito por Ana Lucia Romero Novelli e o texto Comunicação e política de Venício A. de Lima, analisam esta diversidade, indicando que a comunicação pública deve ter como foco a cidadania e o interesse público em ações que envolvem diversos atores sociais.
O primeiro texto aborda a Opinião Pública como instância vital para o funcionamento das democracias modernas, porém não nega que ela muitas vezes atende aos interesses privados. A Opinião Pública também é vista como fonte de legitimação política no sentido de que ela deve ser independente e não manipulada, pois a comunicação pública tem como objetivo informar as pessoas de maneira transparente, porém sabe-se que o que a imprensa faz é se apropriar do conceito de Opinião Pública para legitimar as informações, a opinião.
Para Fiquiredo e Cervellini(1995) uma das dificuldades na conceituação e no entendimento dos vários aspectos da opinião pública, é a confusão que há entre a opinião pública e a pesquisa de opinião. Não se pode confundir pesquisa com Opinião Pública porque a pesquisa é apenas uma amostragem que representa um cenário, sendo um recorte da realidade apenas. Enquanto que a opinião pública é resultado de um debate público. Além disso, a Opinião Pública pode ser influenciada pela Pesquisa e pode ocorrer o que a autora chama de “esvaziamento político”.
É importante refletir de que forma a imagem é construída e reconstruída pela imprensa. A função da imprensa acaba sendo apenas a de registrar para produzir cada vez mais informações e o cidadão acaba consumindo toda essa informação que lhe é bombardeada, sem ter tempo de formar sua própria opinião e sem ter noção do todo e da dimensão que está por trás das notícias. Talvez isso ocorra em grande parte porque,“os limites entre o que deve ganhar projeção pública e o que deve ser mantido na esfera privada não são rigorosamente definidos”(Novelli,pág. 74). Os grandes jornais televisivos, por exemplo, não dão margem para discutir a respeito de como se dão os movimentos sociais. É sempre uma opinião já formada que é tomada como verdade e que não abre um leque para discussões nem reflexão.
Lima aborda , entre outras questões, a capacidade que a comunicação tem de construir a agenda pública que estabelece os temas que vão dominar a discussão pública num determinado período. Ressalta que o papel mais importante que a comunicação desempenha decorre do poder de longo prazo que ela tem na construção da realidade através da representação que faz dos diferentes aspectos da vida humana, das etnias, dos gêneros, das gerações, da estética, e em particular da política e dos políticos. É através da comunicação que a política é construída simbolicamente. O espaço de atuação partidária estaria diminuindo cada vez mais porque atribui-se preferência pela cobertura jornalística dos candidatos , sendo representado como uma disputa entre pessoas(políticos) e não entre proposta políticas alternativas(partidos). O grande problema da mídia, segundo Lima seria o de praticar o “denuncismo” julgando e condenando publicamente tanto pessoas como instituições e desempenhando indevidamente a função do Poder Judiciário.
Abordou-se na palestra a questão do marketing eleitoral. Como bem lembrou o palestrante, “a comunicação não é o que você diz. É o que os outros entendem”. Nesse sentido seria importante o assessor de imprensa orientar seu candidato a fazer poucas propostas, porém propostas boas. O sucesso de uma campanha eleitoral dependeu durante muito tempo da relação do candidato direto com os eleitores. Hoje o contato direto foi substituído pelo contato mediado pela mídia eletrônica.
Há uma grande crítica por parte de Habermas(1984) a respeito de uma existência efetiva de uma opinião pública na sociedade contemporânea. Seu argumento principal refere-se à ausência real de uma publicidade autêntica dos assuntos públicos para que as pessoas possam formar uma opinião independente e não manipulada. A opinião pública necessitaria, na verdade de uma imprensa livre e desvinculada do poder público, cujo objetivo fosse tornar transparente sua administração, implicando no acesso do povo a todas as informações que dizem respeito ao funcionamento dos poderes públicos.
Entre os preceitos inerentes à sociedade moderna que se almeja tais como os direitos fundamentais da pessoa, está o princípio da transparência que deve permear todos os atos que envolvem a gestão da coisa pública. As pessoas que exercem cargos nos três poderes - Executivo, Legislativo e Judiciário -, tenham elas sido eleitas pelo voto ou investidas no posto por designação, precisam se pautar com vistas a ter atitudes e estilo de vida com absoluta visibilidade dos seus atos, sejam eles praticados em praças, gabinetes fechados ou mesmo em conversas telefônicas que digam respeito à condução de assuntos públicos, pois o que está em jogo é o bem maior da coletividade. Isto significa que deveriam ser dado ao conhecimento da sociedade, às ações de interesse público, para que esta pudesse fazer o seu próprio julgamento dos casos.O povo é o titular do poder e que o exerce por meio de seus representantes, não sendo possível esconder-se atos, e devendo primar-se pela publicidade e transparência dos atos. Dessa forma, não só preservar-se-ia o Estado Democrático de Direito do povo brasileiro, mas será possível permitir que os cidadãos participassem ativamente do exercício do poder garantido pela Constituição Brasileira.
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