quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Análise crítica do documentário Ônibus 174

O documentário “Ônibus 174” produzido por José Padilha apresenta uma narrativa cronológica do seqüestro do ônibus, ocorrido em janeiro de 2000 no Rio de Janeiro, com depoimentos de especialistas e de pessoas ligadas ao episódio e ao seqüestrador Sandro Rosa do Nascimento. O seqüestro do ônibus 174 paralisou todo o país e foi filmado e transmitido durante pouco mais de quatro horas em rede nacional. Sandro Nascimento, responsável pelo seqüestro, fez onze reféns, os aterrorizou, simulou um assassinato e fez exigências para os policiais. Após algumas tentativas de fuga Sandro se viu convencido de que não atingiria seu objetivo, então aceitou se entregar. Ao descer do veículo, fez a professora Geísa Gonçalves de escudo. A atitude precipitada de um dos policiais, que atirou contra Sandro fez com que a bala acertasse a professora, que acabou falecendo. Os policiais levaram Sandro para o camburão, mas ele saiu de lá morto. O resultado da perícia provou que ele morreu asfixiado. O desenrolar e posterior desfecho desta tragédia motivaram José Padilha a assumir a direção de um documentário que conseguisse narrar o acontecido de maneira a mostrar tudo o que não foi veiculado na época, nos grandes meios de comunicação. Para a produção e construção da estrutura narrativa, o filme relata o fato fazendo contextualizações, investigando a vida do seqüestrador e se baseando em análises de profissionais.
O documentário conta duas histórias ao mesmo tempo, a partir de imagens intercaladas do seqüestro do ônibus 174 e da trajetória de vida de Sandro, construindo um diálogo que aponta para as causas da violência urbana em países em desenvolvimento como o Brasil.
Na construção da trama, Padilha utilizou imagens do episódio gravadas pela TV Globo, TV Bandeirantes e Rede Record, realizou entrevistas com personagens relacionados ao fato e montou um ``mapa'' da vida de Sandro com as informações obtidas a partir do trabalho de investigação de um detetive profissional e de um advogado, que juntos reuniram 187 páginas de documentos oficiais e arquivos da polícia sobre o seqüestrador. Essa abrangência dos argumentos, depoimentos e informações presentes no documentário provoca uma outra interpretação acerca do episódio, menos imediatista e superficial do que a apresentada pelos veículos de comunicação à época.
São os depoimentos de personagens ligados ao caso do ônibus 174 e à vida de Sandro do Nascimento que reforçam a profundidade pretendida na abordagem feita pelo documentário Ônibus 174. Entre os personagens destacam-se Yvonne Bezerra de Melo, assistente social que, como consta no documentário, conheceu Sandro na Praça da Candelária; Janaína Lopes Neves e Luanna Belmont, reféns do seqüestro; Luís Eduardo Soares, sociólogo; Julieta do Nascimento, tia que cuidou de Sandro após o assassinato da mãe; Dona Elza, mãe ``adotiva'' e única pessoa a comparecer ao enterro de Nascimento; Mendonça, carcereiro da 26ª Delegacia de Polícia do Rio de Janeiro, conhecida como ``o cofre'', onde Sandro chegou a ficar preso; Rodrigo Pimentel, ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope), afastado da Polícia Militar por ter se colocado contra a ação policial no episódio; entre outros. Assim, por meio do documentário, o diretor José Padilha revela que o que tivemos acesso por meio da mídia na época era apenas um fragmento da história. É como se os depoimentos colhidos, o levantamento dos dados e a investigação efetuada nos alertasse para as mazelas sociais e econômicas do país.
O documentário, ao contrário do que a mídia na época noticiou sobre o caso, procura retratar o seqüestrador de forma mais humana, mostrando os principais acontecimentos da sua trajetória, as tentativas de mudança de Sandro durante sua vida, as amizades, a família, o comportamento, dentre outros aspectos. Algumas passagens do filme evidenciam essa intenção. Por exemplo, o depoimento de Claudete Beltrana, colega de rua de Sandro, no qual ela relembra o momento em que os moradores se reuniam para comer batatas fritas e sanduíches comprados numa rede de fast food ou o testemunho da mãe adotiva Elza, que cedeu um quarto de sua casa para Sandro morar ,ou ainda o vídeo de Sandro jogando capoeira, ainda na adolescência; e a fala da refém Luanna Belmont para Sandro pouco antes dele sair do ônibus 174.
. O problema é que diante dessa preocupação em mostrar o lado “humano” do seqüestrador, durante quase a totalidade do documentário, que contém duas horas de duração, parece haver uma tentativa de defender ou justificar os atos criminosos do seqüestrador. O diretor parece transformar a produção em uma comovente história da vida de Sandro Nascimento, o seqüestrador ,para que as pessoas ,de modo geral, passem a conhecer sua história, sua realidade de vida, e passem a “entender” o que leva uma pessoa a cometer tal barbaridade .
Um dos depoimentos mostrados no vídeo é o da assistente social Yvonne Bezerra, em que ela diz ter sido procurada por Sandro pouco antes do episódio do ônibus 174, e que ele lhe revelara a dificuldade de um analfabeto, pobre e marginalizado arrumar emprego; e a seqüência que retoma o massacre da Candelária, ocorrido em 23 de julho de 1993, do qual Sandro acabou escapando, embora tenha presenciado a morte de seis companheiros.
O documentário conta duas histórias ao mesmo tempo, a partir de imagens intercaladas do seqüestro e da trajetória de vida de Sandro. A quantidade de argumentos, depoimentos e informações presentes no documentário provocam uma outra interpretação acerca do episódio, menos imediatista e superficial do que a transmitida pelos veículos de comunicação à época. O resultado é um aprofundamento do episódio e uma visão muito mais realista, não só do caso do ônibus 174, mas da realidade social brasileira.
A mídia esteve presente desde o início do seqüestro, transmitindo para o Brasil e o mundo, ao vivo, imagens do caso. Fotógrafos se empilhavam em busca da “melhor imagem”. O seqüestro se tornou uma emocionante novela para os telespectadores que acompanhavam as imagens. A redefinição social de Sandro passou de personagem subalterno a protagonista da trama.
Sandro se sentia poderoso com todas as câmeras voltadas para ele, acompanhando toda a sua movimentação. Era o momento sublime da “visibilidade”, pelo qual Sandro esperara a vida inteira. No documentário, um sociólogo entrevistado classifica crianças que vivem na rua, como o Sandro viveu, como “invisíveis” perante a sociedade que, devido à convivência diária com o problema, passou a encará-las de forma habitual e a incorporá-las à rotina. Nas ruas, a “invisibilidade” de Sandro desaparecia quando realizava assaltos e roubos, pois o medo estampado no rosto da vítima indicava a influência da sua presença e que, de fato, ele existia e possuía uma identidade.
Padilha faz uma crítica ao caso abordado na época pela mídia, dizendo que a manifestação da opinião pública retratou só o momento em si e que a mídia não procurou investigar a vida de Sandro, na tentativa de contextualizar o momento vivido por ele e o que o levou a execução do seqüestro. Antes, buscou explorar suas imagens “aterrorizantes” e condená-lo à morte. A população ao ver que Sandro ainda não estava morto ao final do seqüestro quis resolver o caso com as suas próprias mãos. Pois a falha da polícia foi ter permitido que o bandido saísse vivo dali, enquanto a refém estava morta. Percebe-se que houve um esgotamento do caso, com a exploração dos seus aspectos emocionais, espetaculares e sensacionais. Dessa forma percebe-se o quão distorcido pode ser a visão fornecida pelos fatos a partir da mídia. Mas, até que ponto a mídia consegue fazer uma construção da realidade? Talvez seja a hora e o momento para a internet, o cinema, a produção editorial e outros meios, participem mais ativamente nessa elaboração do “real”, multiplicando assim as maneiras de interpretar os fatos e a realidade. Assim cria-se uma forma alternativa às informações padronizadas dos veículos de “massa”, saturados pela objetividade e imparcialidade camuflados.
Com o filme podemos perceber também o total despreparo da nossa polícia brasileira. Podemos perceber com o episódio, uma sucessão de erros, com os policiais se comunicando por gestos, muitos negociadores que demonstravam não se entenderem, falta de controle dos repórteres que transitavam no local, e uma autoridade desconhecida que dava ordens por telefone, e impediu que a solução mais adequada - a morte do seqüestrador por atiradores de elite - fosse tomada. Isso sem contar com o desfecho que o seqüestro tomou. Um policial despreparado atirando em Sandro e errando os dois disparos, e o sufocamento desnecessário do agente já imobilizado. É preocupante saber que, é essa mesma polícia a responsável por manter a nossa segurança.
O filme “ÔNIBUS 174” não se propõe a sugerir possíveis saídas para o problema social brasileiro, apenas retrata a questão a partir de uma outra ótica, a dos moradores de rua. As entrevistas feitas nas ruas, com colegas de Sandro e dentro de uma penitenciária evidenciaram a idéia de dar voz aos que desconhecemos ou simplesmente ignoramos. Algumas falas no documentário cumprem seu papel orientando o público a experimentar a sensação de sofrimento e desorganização das celas superlotadas, e assim os instigam a pensar na trajetória de Sandro enquanto vítima da falta de estrutura dos presídios brasileiros. “No espaço de 3 aqui tem 11”.“Aqui tá superlotado, a gente dorme em pedra, eles tratam nossa família mal e a gente come comida azeda”.“A situação do preso é muito ruim. Como que eles querem que o preso se regenere?Essas eram as perguntas mais freqüentes na cela.
O documentário, dessa forma vai esclarecendo fatos que na época do seqüestro do ônibus 147 não foram mostrados na mídia. Muitas pessoas ainda acreditam que Sandro seria o assassino de Geísa, a professora que serviu de refém no seqüestro, mas através de depoimentos e imagens recolhidas sobre o dia no documentário, fica bem claro que na verdade o assassino da professora foi o policial, que ao tentar atirar em Sandro acabou errando o alvo. Nesse momento percebe-se a total falta de preparo da polícia em questões tanto de treinamento quanto de equipamentos necessários para lidar com o caso.
Com base nas evidências recolhidas a partir da análise do documentário Ônibus 174 , pode-se começar a pensar a desigualdade no Brasil e perceber que, talvez, os moradores de rua são apresentados neste filme como sendo, muitas vezes, vítimas de uma estrutura social falha. Dessa forma, o documentário apresenta ao público o contexto do seqüestro, e não apenas o fato em si, procurando mostrar aos telespectadores o que na época a mídia não pôde mostrar.
A produção parece ser honesta e em nenhum momento simula a realidade, indo além de seu status de produto cinematográfico. Faz referência às questões de violência, segurança pública e exclusão social de uma maneira muito clara, por meio de depoimentos, imagens e trilhas sonoras. Utiliza-se imagens panorâmicas, mostrando os contrastes, o lado das mansões e o das favelas da cidade do Rio de Janeiro, procurando ilustrar o conflito e a disparidade social presenciados pelos moradores da cidade.
O filme mostra a vida dos moradores de rua, e como as particularidades deste mundo influenciam na formação da personalidade, e na construção de valores dos que estão inseridos nessa realidade. Diante dessa preocupação em mostrar o lado “humano” do seqüestrador, durante quase a totalidade do documentário, que contém duas horas de duração, parece haver uma tentativa de defender ou justificar os atos criminosos do seqüestrador.O diretor parece transformar a produção em uma comovente história da vida de Sandro Nascimento, o seqüestrador ,para que as pessoas ,de modo geral, passem a conhecer sua história, sua realidade de vida, e passem a “entender” o que leva uma pessoa a cometer tal barbaridade.
Se por um lado o documentário provoca uma reflexão por parte do telespectador em relação às desigualdades do Brasil, e mostrar-se preocupado em saber o que teria levado Sandro a seqüestrar o ônibus, por outro lado tende a procurar justificar o erro do criminoso fazendo um documentário comovente de sua história de vida, colocando depoimentos dos familiares e amigos e enfatizando o erro do policial, para de certa forma “amenizá-lo” da culpa de ter tido realizado o seqüestro.

sábado, 21 de agosto de 2010

Estudo de caso sobre Comunicação e Gerenciamento de Crise a partir da Teoria da Dissonância Cognitiva (FESTINGER).

Abaixo um estudo de caso realizado para disciplina de Psicologia da Comunicação. Matéria do temível e ao mesmo tempo querido professor Zama. hehe

Antes do estudo de caso, vou postar uma explicação que ao mer ver, foi a mais clara que consegui a respeito de dissonância. Que fique claro, que sou apenas leiga em assuntos de psicologia, mas que pesquiso bastante e me interesso muito pela matéria.

A Teoria de Festinger basea-se na premissa de que toda pessoa tenta manter um estado de consonância, ou seja, de consistência cognitiva. Toda pessoa tenta estabelecer uma coerência entre pensar e agir. Quando uma pessoa age de maneira contrária ao que pensa, ocorre um estado de dissonância cognitiva. Surge assim um estado de tensão, ou angústia, então a pessoa reconstrói uma coerência cognitiva, dando um novo significado as crenças anteriores, ou ela muda seus comportamentos para adaptar-se a realidade externa. (Chiavenato, 1998).
Para resumir, essas teorias apresentadas explicam que o comportamento humano possui uma
relação intriseca entre a forma em que é percebido e interpretado a realidade por cada pessoa e ainda o comportamento é alterado de acordo com tensões e angústias para a manutenção de uma coerência cognitiva.

Dissonância Cognitiva

(L. Festinger)

Visão Geral:

De acordo com a teoria de dissonância cognitiva, existe uma tendência nos indivíduos de procurar uma coerência entre suas cognições (convicções, opiniões). Quando existe uma incoerência entre atitudes ou comportamentos (dissonância), algo precisa mudar para eliminar a dissonância. No caso de uma discrepância entre atitudes e comportamento, é mais provável que a atitude vai mudar para acomodar o comportamento.

Dois fatores afetam a força da dissonância: o número de convicções dissonantes e a importância atribuída a cada convicção. Existem três maneiras de eliminar a dissonância: (1) reduzir a importância das convicções dissonantes, (2) acrescentar convicções mais consoantes que se sobreponham às convicções dissonantes ou (3) mudar as convicções dissonantes para que elas não sejam mais incoerentes.

A dissonância ocorre mais freqüentemente em situações onde um indivíduo precisa escolher entre duas convicções ou ações incompatíveis. A maior dissonância é criada quando as duas alternativas são igualmente atraentes. Além disso, a mudança de atitude está mais provavelmente na direção de menos estímulo, já que isto resulta em menor dissonância. Neste aspecto, a teoria da dissonância é contraditória em relação à maioria das teorias comportamentais que predizem uma maior mudança de atitude com estímulo aumentado (isto é., reforço).

Âmbito/Aplicação:
A teoria da dissonância se aplica a todas as situações envolvendo formação e mudança de atitude. Ela é especialmente relevante para tomada de decisões e resolução de problemas.

Exemplo:
Considere alguém que compra um carro caro, mas descobre que ele não é confortável em passeios longos. A dissonância existe entre suas convicções de que ele comprou um bom carro e que um bom carro deve ser confortável. A dissonância pode ser eliminada decidindo-se que isto não importa, já que o carro é principalmente usado para viagens curtas (reduzindo a importância da convicção dissonante) ou focalizando-se as virtudes do carro, como segurança, aparência, manuseio (acrescentando desse modo mais convicções consoantes). A dissonância também pode ser eliminada desembaraçando-se do carro, mas este comportamento é mais difícil de ser realizado do que mudar as convicções.

Princípios:
1. A dissonância acontece quando um indivíduo precisa escolher entre atitudes e comportamentos que são contraditórios.
2. A dissonância pode ser eliminada reduzindo-se a importância das convicções conflitantes, adquirindo novas convicções que mudam o balanço, ou removendo a atitude ou comportamento conflitante.

Referências:
Behm, J. & Cohen, A. Explorations in Cognitive Dissonance.
New York: Wiley.
Festinger, L. (1957). A Theory of Cognitive Dissonance.
Stanford, CA: Stanford University Press.

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Para quem tiver interesse em ler. A fonte do caso é: ROSA, Mário. A era do escândalo. Lições, relatos e bastidores de quem viveu as grandes crises de imagem. São Paulo: Geração Editorial, 2004, 3a ed. Não postei aqui pelo número de páginas ser grande, mas acho que vale a pena lerem e tentarem achar mais dissonâncias cognitivas..

Vamos à análise..

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O case “o escândalo dos escãndalos da bicicleta” trata de uma crise de imagem. Envolve boatos, intrigas, acusações falsas, denúncias absurdas e mentirosas por parte da imprensa e que levaram a uma mega exposição negativa do ex-ministro da Saúde do governo Collor, Alcene Guerra, demonstrando uma total falta de ética por parte da imprensa e conseqüente frustração por parte de Guerra.

Há uma dissonância cognitiva no que diz respeito a como ele era visto perante a sociedade e como passou a ser visto depois das acusações falsas de adquirir itens superfaturados. O homem que antes refletia a imagem de sucesso, de futuro promissor, agora era visto sob estigma de “ladrão de bicicleta”, o ministro "Mary Poppins”

Alcene se vê numa situação de extrema injustiça e se vê forçado a se demitir por temer que seja mais exposto negativamente à mídia. Há ai um caso de condescendência forçada. A Condescendência Forçada é produzida, segundo Festinger, pela ameaça de punição e pela oferta de recompensa. O ato de pedir a demissão do cargo de Ministro da Saúde decorre do medo de Guerra de que sua imagem perante a opinião pública seja piorada. Tal condescendência forçada gera uma dissonância cognitiva. O comportamento manifesto de se demitir é dissonante com a cognição de que ele quer permanecer no governo.

Com relação à imprensa pode-se dizer que há um caso de condescendência forçada, pois houve um descompasso entre a opinião privada de que Alcene Guerra era inocente, do comportamento manifesto ao denunciar a compra de bicicletas superfaturadas. A imprensa pode ter agido por temor a punição de ser contrária à opinião pública ou pela recompensa de ser vista como a imprensa que noticia em “primeira mão”. Por temer a Punição ou por pensar nessa recompensa, acabou cometendo um grave erro: denunciar alguém inocente. O mecanismo usado para reduzir a dissonância foi selecionar as informações. Para Festinger eu faço seleções das informações tentando evitar a dissonância. No processo de escolha de informação, se a informação contraria com a opinião privada que eu já tenho eu não me exponho a essa informação.Se a informação vai de encontro com que eu penso fico mais exposto a informação. Assim diminui a dissonância.

Segundo Festinger há condescendência forçada quando há pressão que se faz acompanhar da ameaça de punição ou oferta de recompensa. Nesse sentido,um caso de condescendência forçada que pôde ser observado ocorreu quando Alcene Guerra se viu obrigado a pedir demissão quando percebeu que o Presidente Collor estava cansado de seus “ataques”.

“Senti que era um estorvo, estava atrapalhando o governo. Não poderia mais ficar no cargo se não tinha apoio. Foram dias muito amargos” (pág. 420). “A existência da dissonância, segundo Festinger, dá origem às pressões para reduzi-la”. Segundo ele, a dissonância é pós decisória.

Exemplo: Tomada de decisão

Um dos exemplos percebidos no texto de tomada de decisão foi a demissão do funcionário. Quando optou-se por essa alternativa verificou-se as vantangens e desvantagens de se manter o funcionário na empresa e as desvantagens e desvantagens de ele continuar na empresa. A vantagem seria manter um bom funcionário e a desvantagem seria ter uma imagem negativa associada ao governo. Certamente houve ai um caso de dissonância cognitiva. Para diminuir essa dissonância buscam-se informações que confirmem nossas escolhas.

O conhecimento que se tem sobre “algo” pode ser dissonante com o que se depara nos jornais, nos meios impressos.

Público: jornalista

Comportamento manifesto: denunciar

Opinião privada: ele não é culpado.

Para diminuir a dissonância entre o que se faz e o que se sente é preciso mudar sua opinião modificando sua ação (deixar de denunciar) ou procurar pessoas que compartilhem da mesma opinião, de que ele deve ser denunciado.

Com relação as mudanças de opiniões e atitudes o tipo de dissonância cognitiva é produzido pelo conhecimento que uma pessoa ou outra fonte de informações que o indivíduo considera positivamente ou negativamente apóia uma opinião que o indivíduo considera negativamente ou positivamente .

Quanto ao processo de reconstrução da imagem de Alcene Guerra, após sua saída do ministério ele se deparou com inúmeras tomadas de decisões, dentre elas provocar um processo judicial. O senador Marcos Maciel, então líder do governo do senado lhe aconselhou dizendo que ele precisava ser processado. As vantagens dessa alternativa escolhida seria que com um processo formal, Alcene poderia ter oportunidade de se defender e ser absolvido e a desvantagem de não se ter esse processo judicial seria ter que conviver com as condenações da imprensa. Quando Alcene optou por provocar um processo judicial em detrimento de não provoca-lo, para reduzir a dissonância, buscou-se informações que confirmassem as vantagens da alternativa escolhida e desvantagens da alternativa deixada de lado. Após isso o procurador-geral da República deu seu parecer inocentando-o completamente. O problema é que mesmo assim a imprensa parecia não querer ouvi-lo. Houve aí uma dissonância cognitiva. Para diminuí-la será necessário buscar informações que confirmassem as escolha que o Ministro fez de ter provocado o processo judicial.

Um caso bem claro, de condescendência forçada, ocorreu quando o Ministro da Saúde, que sempre aceitava os pedidos de entrevistas dos jornalistas até 1992, foi proibido por seu jurista, Saulo Ramos, de se pronunciar sob ameaça dele abandonar a causa. Ou seja, o comportamento de Guerra de não se pronunciar decorreu do seu temor à punição, que seria o abandono da causa por seu advogado. Para diminuir a dissonância provocada, o ministro procurou informações que confirmassem a cognição de que se calar era a melhor solução. O seguinte trecho demonstra bem a mudança de opinião para se diminuir a dissonância: “Ele tinha razão. Em poucas semanas o silêncio produziu uma trégua. O ato de calar-se deixa de alimentar a imprensa com novas versões e tira dos Jornalistas o conforto ético de "ouvir a vítima”. (pág406).